Curiosidades Acústicas
Três assuntos ganham destaque: a revolução feita pela caixa acústica com ondas que se expandem apenas na horizontal; os padrões estabelecidos para indicar o quanto de som, em média, uma pessoa pode tolerar em relação ao prejuízo de sua saúde; e a descoberta de um novo revestimento arquitetônico pelo laboratório de Materiais Vítreos da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).
1 - Lei dos inversos dos quadrados e a escolha de caixas de som
No ano 2000, um Físico estrangeiro desenvolveu uma caixa acústica cujas ondas não são mais propagadas de forma esférica (que se expandem na horizontal e na vertical), mas sim ondas que se expandem apenas na horizontal. É o chamado "Sistema V-DOSC".
Surgiu aí uma enorme revolução dos sistemas de caixas acústicas, por um motivo simples. A nova forma de propagação reduziu as perdas com a distância a 3dB, em vez dos 6dB. A Lei dos Inversos dos Quadrados não foi invalidada, mas descobriram como contorná-la.
O sistema V-DOSC tem sido adotado com sucesso em locais com grande comprimento, gerando grande economia, pois utiliza menos caixas e menos potência do que seria necessário para sonorizar um local com o sistema tradicional.
A Revista Áudio, Música & Tecnologia publicou uma reportagem sobre o tema.
http://www.musitec.com.br/revista_artigo.asp?revistaID=1&edicaoID=114&navID=1218
2 - Perda de audição induzida por ruído (barulho)
A exposição contínua a níveis de ruído superiores a 50 decibéis pode causar deficiência auditiva em algumas pessoas. A variação é grande em relação à susceptibilidade ao barulho. Entretanto, padrões têm sido estabelecidos para indicar o quanto de som, em média, uma pessoa pode tolerar em relação ao prejuízo de sua saúde.
Os índices de poluição sonora aceitáveis estão determinados de acordo com a zona e horário segundo as normas da ABNT (n.º10.151). Conforme as zonas os níveis de decibéis máximos permitidos nos períodos diurnos e noturnos são os seguintes: A perda auditiva típica observada com as pessoas que possuem uma longa história de exposição a ruído é caracterizada por perda de audição na faixa entre 3000 e 6000 Hz . Na fase precoce à exposição, uma perda de audição temporária é observada ao fim de um período, desaparecendo após algumas horas. A exposição contínua ao ruído resultará em perda auditiva permanente que será de natureza progressiva e se tornará notável subjetivamente ao trabalhador no decorrer do tempo.
TABELA DE IMPACTO DE RUÍDOS NA SAÚDE
Até 50Db
Confortável (limite da OMS)
Nenhum
Rua sem tráfego.
Acima de 50Db
O organismo começa a sofrer impactos do ruído
De 55 a 65 dB
A pessoa fica em estado de alerta, não relaxa
Diminui o poder de concentração e prejudica a produtividade no trabalho intelectual.
Agência bancária
De 65 a 70 dB
Aumenta o nível de cortisona e a concentração de colesterol no sangue, diminuindo a resistência imunológica. Induz a liberação de endorfina, tornando o organismo dependente.
Acima de 70
O organismo fica sujeito a estresse degenerativo além de abalar a saúde mental
Aumentam os riscos de enfarte, infecções, entre outras doenças sérias
3 - Revestimentos arquitetônicos artificiais
O Laboratório de Materiais Vítreos (LaMaV) da UFSCar, referência nacional no segmento de novos materiais e fundado há 30 anos, fez o desenvolvimento de revestimentos arquitetônicos artificiais feitos com vitrocerâmica que imitam granito e mármore, têm custo menor e podem substituir o uso de pedras naturais, que estão em extinção. A pesquisa começou há 10 anos e surgiu de estudos do laboratório sobre processos envolvidos no aquecimento do pó de vidro e na união dos seus grãos.
"O material usado não é vidro puro, porque o vidro tem uma estrutura molecular desorganizada. Para melhorar as propriedades, é preciso cristalizá-lo. Depois desse processo, o material passa a ser denominado vitrocerâmica, que apresenta maior resistência mecânica", afirma o pesquisador do laboratório, Edgar Zanotto.
A pesquisa teve apoio da Fapesp e do CNPq e o produto final, apesar de não ter um nome comercial, já foi patenteado. "Estamos, agora, procurando empresas interessadas em produzi-lo em larga escala", concluiu Zanotto.
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