As palestras
Igrejas Barrocas
Stelamaris Rolla Bertoli
Professora da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp

É inegável a importância histórica, arquitetônica e cultural das igrejas barrocas construídas em Minas Gerais. Assim, conhecer as características acústicas desses ambientes e entender como a arquitetura é influenciada por ela foi a motivação dessa pesquisa transformada na palestra apresentada no seminário. Segundo sua exposição, a caracterização acústica dessas igrejas é difícil pela complexidade dos espaços e pela múltipla função.
A avaliação acústica consistiu na caracterização do campo sonoro por meio de medidas objetivas de parâmetros acústicos e a comparação com os valores ótimos estabelecidos. Descritores objetivos como tempo de reverberação, tempo de decaimento inicial, clareza e definição foram usados para caracterização do campo sonoro. Os parâmetros arquitetônicos usados na avaliação foram volume do ambiente, quantidade de superfícies de madeira e argamassa, porcentagem de talhas barrocas e número de altares colateriais.
Entre as dez igrejas avaliadas, apresentamos quatro na palestra: Igreja Sé de Mariana, Nossa Senhora do Pilar de São João Del Rei, Nossa Senhora da Conceição de Ouro Preto e Santo Antonio de Tiradentes. Os resultados mostraram que, nesses casos, a acústica e arquitetura se uniram para nos premiar com ambientes de boa qualidade.
O caso ECA-USP
Lineu Passeri
Arquiteto e diretor da Passeri Associados

Partindo de uma visão global do problema decorrente da instalação de estúdios em edifícios projetados para outro fim, procurei destacar as necessidades de cada ambiente técnico do ponto de vista dos níveis máximos de ruído admissíveis e de seus tempos de reverberação; as soluções de isolamento e tratamento acústico propostas em cada caso, os materiais utilizados e os resultados obtidos. Ao final, apresentei as principais conclusões sobre o desempenho dos materiais isoladamente (portas e absorvedores acústicos, por exemplo) e dos materiais combinados com outros produtos disponíveis no mercado: gesso, lã de vidro e pisos flutuantes de concreto, por exemplo.
NBR 15.575
Cândida Maciel
Arquiteta e diretora da Síntese Acústica Arquitetônica
A NBR 15575, que entrará em vigor em maio do ano que vem, tem como foco atender as exigências dos usuários em qualidade, conforto e segurança. Esta norma estabelece requisitos, critérios e métodos de avaliação em edifícios habitacionais de até cinco pavimentos. A norma explora conceitos de durabilidade dos sistemas construtivos, manutenção da edificação e conforto do usuário. No que se refere à acústica, a norma estabelece, para os diferentes sistemas, requisitos mínimos de desempenho que devem ser considerados e atendidos em todos os casos. Tendo em vista incentivar a melhoria da qualidade das especificações, são considerados níveis mais elevados, denominados intermediários e superiores.
Cabine Acústica para conjunto de três chiller
Luís Carlos Gusson
Gerente comercial da Vibrasom
Redução do nível de ruído na divisa de um conjunto comercial localizado na zona Sul de São Paulo para atender a Lei Municipal nº 11501 de 11/04/94 e o Decreto nº 34.741 de 09/12/94. Ao mesmo tempo, garantir ventilação necessária para o bom funcionamento do equipamento; permitir acesso de pessoal para manutenção sem maiores interferências; projetar, fabricar e instalar a cabine no menor prazo possível.
Solução apresentada: construção de uma cabine acústica com 23m de largura, 6m de profundidade e 4m de altura.
Para se ter ideia da gravidade da situação, basta dizer que o barulho atingiu 74 dB na varanda do terceiro andar do edifício. Solução apresentada: instalação de uma cabine acústica com 23 metros de largura, 6 metros de profundidade e 4 metros de altura. Resultado: os níveis de ruído encontrados em torno do condomínio ficaram todos abaixo de 65 dB(A), inclusive o que foi medido logo acima do teto da cabine que chegou com o Chiller a plena carga a 63 dB(A).
Sistemas Drywall
Marcelo Pedrosa, Coordenador de Projetos Técnicos da Lafarge
- Quantidade de chapas de gesso
- Espessura das chapas de gesso
- Tipo de estrutura
- Espessura total do sistema
- Vazio entre as chapas
- Inserção de elementos atenuadores.
Estes fatores que influenciam o isolamento acústico foram destacados na apresentação. Destaque também para a importância da concepção do projeto para garantia do desempenho acústico; e que os projetos devem atender tanto uma solução completa como em conjunto com outras situações.
Tratamento acústico para salas de audição e estúdios
Márcio Avelar
Mestre e Doutor em acústica e vibrações pela Universidade Federal de SC
- Finalidade dos tratamentos acústicos
- Como avaliar desempenho de superfícies
- Simulações computacionais
Destaque também para os controles de reverberação: laterais, superiores e posteriores. Outros temas: absorção sonora, câmara reverberante, difusão sonora, coeficiente de Espalhamento, por exemplo. Simulações computacionais, projetos acústicos e realidade virtual.
Debate aprovado
O 3º Seminário Soluções em Tratamento Acústico, promovido pela Vibrasom, contou – pela primeira vez - com a apresentação de um debate no período da manhã. O novo formato, que lembra um talk-show da televisão, agradou porque abriu mais espaço para a participação do público e ampliou a análise dos temas apresentados. “Esta experiência foi aprovada e será ampliada para no próximo seminário” anunciou Luis Carlos Gusson, gerente comercial da Vibrasom, e idealizador do evento.
O arquiteto Marcio Mazza, mediador do debate, disse que a iniciativa foi bacana porque contribuiu para avançar as discussões sobre conforto acústico. “O debate foi produtivo, objetivo. Veio de encontro ao interesse dos arquitetos interessados em assimilar conhecimentos”, frisou.
A professora Stelamaris Rolla Bertoli, da Unicamp, que apresentou uma palestra sobre igrejas barrocas de Minas Gerais, elogiou a iniciativa porque, segundo ela, criou interação com o público e proporcionou resposta imediata dos temas. O arquiteto Lineu Passeri, da Passeri Associados, que destacou o trabalho de reforma nos estúdios da ECA, na USP, em São Paulo, também elogiou o novo formato, destacou a curiosidade geral sobre os difusores e sugeriu apenas que houvesse mais tempo para os debates. Da mesma forma, a arquiteta Cândida Maciel, que fez uma análise da norma 15.575, da ABNT, também não poupou elogios. “Nunca tinha visto. Foi dinâmico, confortável. Superinteressante”, concluiu.
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