Nesta edição especial, o Vibranews apresenta levantamento minucioso da obra dos novos estúdios da ECA-USP
O Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA (Escola de Comunicação e Artes), da USP, inaugurou, no mês passado, os novos laboratórios e estúdios de captação, gravação, e finalização de filmes. A obra, que consumiu uma verba de sete milhões de reais, venceu desafios, integrou necessidades acústicas com atividades da universidade e vai se tornar referência para instituições de ensino do País.
Melhor para quem passar na Fuvest e se matricular nos cursos do Audiovisual, graduação e pós-graduação. Afinal, vai encontrar o cenário ideal para dominar os segredos das mídias digitais e se tornar um profissional de alto nível. O jornalista Aílton Fernandes, editor do Vibranews, visitou o novo prédio, conversou com arquitetos, diretores, professores, alunos e fez uma radiografia do projeto acústico desenvolvido pela Coordenadoria do Espaço Físico da USP (COEFUSP), sob a responsabilidade do arquiteto Rogério Bessa Gonçalves (fiscalização de obras pelo engenheiro Antonio Carlos Orsi); e pelo arquiteto Lineu Passeri Júnior, da Passeri Associados. A execução a cargo da Construtora Épura, com os materiais fornecidos e aplicados pela Vibrasom – Tecnologia Acústica.
Desafios
As reformas e ampliações do edifício da ECA fazem parte de um programa de modernização dos edifícios da universidade, iniciado em 1998, logo depois da implantação do Curso Superior do Audiovisual. O novo prédio tem 4.040m2 distribuídos em dois pavimentos que contemplam oito laboratórios. Para compatibilizar o espaço arquitetônico com as necessidades acústicas e de iluminação, foi construído um segundo pavimento com pé direito duplo (7m).
Essa solução atendeu as necessidades do ponto de vista arquitetônico, mas gerou problemas acústicos. Explica-se: os estúdios para a gravação de filmes demandam, por exemplo, iluminação e sistema de ar condicionado. Tudo isso provoca ruídos e exige sofisticado trabalho de isolamento e tratamento acústico. Depois da aplicação dos materiais, foram feitas as medições acústicas.(dBA) e verificado os tempos de reverberação. Veja aqui os principais dados:
Ambientes tratados
Pavimento térreo
- 03 estúdios de cinema e vídeo (240, 160 e 80 m2)
- 02 switchers
- 02 salas de cinema com características de estúdio (para 50 e 70 espectadores)
- 01 cabine de projeção
Pavimento superior
- 01 estúdio de finalização (com 2 salas de locução)
- 01 estúdio de rádio (com 1 sala de locução)
- 06 estúdios de edição
- 01 pequeno estúdio de áudio
- 01 sala de aula preparada para 5.1
Principais providências
- Apropriação dos níveis de ruído nos estúdios e demais ambientes técnicos
- Definição dos lay-outs de cada ambiente
- Definição dos sistemas de isolamento sonoro (de pisos, paredes e forros)
- Definição de portas e janelas isolantes
- Concepção dos sistemas de tratamento acústico (absorção, reflexão e difusão sonora)
- Elaboração do projeto de iluminação artificial dos ambientes
- Definição de materiais de acabamento
Estúdios de cinema e vídeo
Demandas
Nível de ruído
- Leq < 30 dB(A)
- Leq < 33 dB(A) com o ar-condicionado ligado
Tempo de reverberação: 0,6s < RT60 < 0,8s
Materiais utilizados
- Pisos flutuantes
- Paredes e forros isolantes
- Portas isolantes Vibrasom
- Tratamento acústico de paredes e forro por absorção
Switchers
Demandas
Nível de ruído
- Leq < 34 dB(A)
- Leq < 38 dB(A) com o ar-condicionado ligado
Tempo de reverberação: 0,8s < RT60 < 1,2s
Materiais utilizados
- Paredes e forros isolantes
- Portas Vibrasom e visores isolantes
- Tratamento acústico de paredes e forro por absorção
- Revestimento acústico Sonique
Salas de cinema
Demandas
Nível de ruído
- Leq < 34 dB(A)
- Leq < 38 dB(A) com o ar-condicionado ligado
Tempo de reverberação: 0,8s < RT60 < 1,2s
Materiais utilizados
- Paredes e forros isolantes
- Portas isolantes Vibrasom
- Tratamento acústico de pisos, paredes e forro por absorção
Estúdios de edição e finalização
Demandas
Nível de ruído
- Leq < 30 dB(A)
- Leq < 33 dB(A) com o ar-condicionado ligado
Materiais utilizados
- Pisos flutuantes
- Paredes e forros isolantes
- Portas Vibrasom e visores isolantes
- Tratamento acústico de pisos, paredes e forros por absorção, reflexão e difusão
- Revestimento acústico Sonique
Tratamento acústico
- Revestimento de pisos
- Revestimento de paredes
- Revestimento de forros
- Placas vibrantes
- Difusores QRD
Resultados
Os ruídos do sistema de ar condicionado foram equacionados com dutos enormes e grande volume de ar frio em baixa velocidade para evitar turbilhamento. Além disso, os ambientes ganharam pisos flutuantes de concreto e a espessura das paredes de alvenaria ficou maior. “Boa parte do resultado acústico e da beleza estética deve-se a qualidade dos produtos utilizados”, frisou Lineu, acrescentando que o maior desafio foi adequar cada ambiente às limitações impostas pelo edifício já construído.
O gerente comercial da Vibrasom, Luís Carlos Gusson, explicou que o projeto contou com as portas acústicas da Vibrasom com isolações entre 40 e 45 dB STC; revestimentos acústicos Sonique Décor e Wave em vários ambientes, além dos Córner Traps (absorvedores de cantos). “O revestimento acústico Décor, instalado em vários ambientes, teve um desafio à parte. Para harmonizar o projeto e facilitar a passagem de cabos e futuras instalações, o revestimento contornou uma eletro-calha e deu um aspecto visual muito bonito”, concluiu.
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