Esther Hamburger

“É possível fazer obras de alto nível
técnico numa instituição pública”
Chefe do Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA; Doutora em Antropologia pela Universidade de Chicago (EUA); Livre-docência pela USP e professora de Teoria e História do Audiovisual, Esther Hamburger não esconde uma ponta de orgulho com a reforma do prédio e a implantação dos novos estúdios da universidade. Nesta entrevista exclusiva ao Vibranews, destaca que a instituição, hoje, tem a melhor estrutura em audiovisual do País e está pronta para enfrentar os desafios das mídias digitais.
P – Qual foi o maior desafio para implantação dos novos estúdios da ECA?
R – Foi integrar as necessidades acústicas, de iluminação e de espaço arquitetônico em um prédio com outras atividades. Então, a solução foi utilizar a parte central para fazer um pé direito duplo. O térreo ganhou um novo andar e o miolo do prédio foi ocupado pelos estúdios “A” e “B”.
P – Como foi equacionada a questão acústica?
R – Quando você está filmando ou gravando, necessita de isolamento acústico perfeito para que eventos como a passagem de um avião ou a chegada de uma moto, por exemplo, não interfiram. Outra questão: um estúdio demanda muita energia por conta da iluminação. Essa iluminação produz muito calor. Os equipamentos não suportam esse calor. Então, existe a necessidade de um sistema de ar condicionado potente, que, por sua vez, gera ruídos.
P – Qual foi o resultado?
R – O resultado foi muito positivo. Ainda mais porque estamos em uma instituição pública, autárquica, que possui regras muito claras para contratação de serviços técnicos de construção. Então, nossa preocupação era garantir qualidade neste formato. Por isso, nosso feito aqui é um exemplo de que é possível fazer obras de alto nível técnico em uma instituição pública.
P – Os novos laboratórios e estúdios já estão funcionando?
R - Ainda não. A área que está mais adiantada é a de montagem. São seis baias de edição, totalmente isoladas acusticamente uma da outra. Para isso, têm sistemas de ar condicionado totalmente separados para evitar vazamento de som de uma baia para outra. Além disso, têm um acabamento sofisticado do ponto de vista acústico e de ar condicionado. A sala de mixagem também está funcionando, mas com equipamentos antigos.
P – Por que a Universidade decidiu investir neste novo prédio?
R – Foi em 2000, quando aprovou a constituição do Curso Superior do Audiovisual. O curso reúne os antigos cursos de Cinema e Vídeo; e Rádio e TV. Hoje, várias universidades do País estão adotando este nosso modelo. Isso pode provocar uma mudança no panorama da realização audiovisual. Antes, a gente tinha uma situação meio esquizofrênica. Em cinema, se investia mais do ponto de vista criativo e intelectual; enquanto em televisão e rádio, mais na parte técnica. Isso trouxe um resultado elitista, que influenciou na realização de cinema e TV. Com a integração das mídias digitais, essas separações não fazem mais sentido. Por isso, temos a grande chance de formar profissionais qualificados tanto do ponto de vista criativo como técnico. Este é o desafio que temos aqui. Um desafio que estimula professores e alunos.
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