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Arquitetos não têm boa formação acústica - Sylvio Reynaldo Bistafa

03 de Setembro de 2008, por Vibranews - O Portal da Acústica
 

Entrevista
Sylvio Reynaldo Bistafa



Professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da USP onde leciona Mecânica dos Fluídos e Acústica; professor-orientador do programa de pós-graduação na área de Tecnologia da Arquitetura, na especialidade Acústica Arquitetônica, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde leciona a disciplina "Acústica das Salas"; "Master of Science" e Ph.D. pela "The Pennsylvania State University" – USA;  Sylvio Reynaldo Bistafa diz, nesta entrevista exclusiva ao Vibranews, que “deixa a desejar” a formação acústica dos arquitetos que vão para o mercado de trabalho; analisa o desenvolvimento de materiais acústicos no Brasil e declara que os empresários da construção civil precisam receber mais informações relativas ao desempenho acústico de elementos utilizados em seus empreendimentos.


Entrevista:


P - Como o professor analisa o desenvolvimento dos materiais acústicos no Brasil?
R – Sem dúvida, houve uma acentuada evolução nos materiais absorventes de ruídos usados para o controle dos ambientes. Antes, só havia lã de vidro. Agora, temos uma gama maior de opções. Com relação aos isolantes usados para impedir que o ruído passe de um ambiente para outro também houve progressos com a chegada do “drywall”.

P – Os materiais acústicos especificados no Brasil são similares aos do Primeiro Mundo?
R – Sim, são similares aos materiais usados nos Estados Unidos e nos principais países da Europa.

P – Mesmo assim, na sua opinião, o mercado brasileiro tem carência de algum material ou revestimento acústico especificado na Europa?
R – Materiais elastoméricos para compor o piso flutuante, por exemplo, ainda não são encontrados aqui no Brasil, mas são comuns em diversos países da Europa e nos Estados Unidos. Este material é colocado entre a laje e o contra-piso para impedir que o ruído de impacto se propague de um ambiente para outro. Mas as construtoras e incorporadoras alegam que esta solução acústica provocará aumento no custo total da obra, do empreendimento. O consumidor, desinformado, não reivindica na hora de adquirir o imóvel. Além disso, só faz algum tipo de reclamação quando o barulho atinge níveis exagerados.

P – Existem normas que são desobedecidas pelos empresários da construção civil?
R – Os empresários precisam dispor de normas de desempenho (acústico) de edificações e de mais informações relativas ao desempenho acústico de elementos utilizados em edificações, tais como paredes divisórias, lajes, caixilhos, janelas, portas, divisórias, etc. Infelizmente, essas normas e informações de desempenho ainda não se encontram disponíveis no Brasil.

P – Onde o piso flutuante deve ser especificado?
R – Em condomínios verticais, residenciais, sua aplicação é muito importante porque ele atenua os ruídos de queda de objetos, pisadas, movimentação de cadeiras, etc. O problema é mais crítico no barulho feito por crianças à noite, quando móveis são arrastados no andar de cima, etc.

P – Na sua opinião, é satisfatório o nível dos arquitetos que estão entrando no mercado para desenvolver projetos acústicos?
R – Na minha opinião, o nível deixa a desejar. Esta situação existe porque em um bom número de faculdades de arquitetura, o curso de acústica, quando faz parte do programa, normalmente é enxuto e o número de aulas limitado. Isto é, a matéria é diluída, aplicada junto com iluminação e conforto térmico. Por isso, é comum um arquiteto, depois de formado, contratar um consultor quando precisa desenvolver um projeto acústico.

P – Diante desta situação, como o professor avalia a iniciativa da Vibrasom que promoveu, em São Paulo, o 2º Seminário Soluções em Tratamento Acústico?
R – Esta iniciativa é oportuna. Afinal, o setor conta com poucos eventos deste tipo para que os profissionais possam trocar idéias com os profissionais mais experientes e colher subsídios para a criação e desenvolvimento de seus projetos.


Sylvio Reynaldo Bistafa
Professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da USP onde leciona Mecânica dos Fluidos e Acústica. Professor orientador do programa de pós-graduação na área de Tecnologia da Arquitetura, na especialidade Acústica Arquitetônica, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde leciona a disciplina "Acústica das Salas". É "Master of Science" e Ph.D. pela "The Pennsylvania State University" - USA. Tem sua linha de pesquisa nas áreas de acústica aplicada e engenharia de controle de ruídos. Estagiou no Centre Scientifique e Technique du Batiment - CSTB em Paris e no Bundensanstalf fur Material Prufung - BAM em Berlim, onde desenvolveu trabalho experimental sobre ruído em instalações hidráulicas. Foi pesquisador do Applied Research Laboratory e do Noise Control Laboratory da "The Pennsylvania State University" - EUA, onde desenvolveu atividades de pesquisa sobre ruído aero e hidrodinâmico. Foi "visiting scientist" no grupo de acústica do National Research Council Canadá, onde desenvolveu pesquisa sobre inteligibilidade da fala em salas. Foi "visiting scholar" no Departamento de Mecânica Teórica e Aplicada da University of Illinois at Urbana-Champaign - EUA, onde desenvolveu pesquisa sobre determinação das frequências de ressonância complexas na sala retangular. Foi bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq de 1985 a 1997. Recebeu da Fapesp, Capes e CNPq diversos auxílios para estagiar e participar de congressos no exterior. Orientou quatro dissertações de mestrado e quatro teses de doutorado na área de acústica aplicada. É autor e co-autor de mais de 90 artigos técnicos publicados em revistas e anais de congressos nacionais e internacionais. É autor do livro "Acústica Aplicada ao Controle do Ruído" (Editora Edgard Blucher, São Paulo, 2006). Possui cinco patentes sendo quatro em co-autoria. É parecerista "Ad-hoc" da Fapesp, Capes, CNPq, Fundunesp, Fundação Araucária e da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência. Foi secretário e presidente da Sociedade Brasileira de Acústica - SOBRAC. É membro "fellow" do "Institute of Noise Control Engineering" - INCE - USA e membro associado da "Acoustical Society of America" - ASA - USA.


 


 

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