Fernando Iazetta, 42 anos, paulista, músico, Doutor em Comunicação e Semiótica, professor Livre-Docente do Departamento de Música da ECA (Escola de Comunicação e Artes) da USP e coordenador do curso de pós-gradua¬ção em Música conta - nesta entrevista exclusiva ao Vibranews - que o projeto AcMus (software de avaliação acústica) será retomado no ano que vem com a implantação do terceiro módulo, de simulação acústica. Iniciado há seis anos, dois módulos estão disponíveis na Internet, (http://gsd.ime.usp.br/acmus) para engenheiros, arquitetos e demais profissionais que desejam fazer medição acústica de diversos ambientes. O acesso é livre e gratuito.

P - Como nasceu o projeto AcMus?
R – O projeto nasceu dentro de um grupo de pesquisadores aqui da USP em 2002, com financiamento da FAPESP. Um dos pontos principais do projeto: facilitar a avaliação da acústica de salas de concertos musicais, teatros, auditórios, etc.
P – Quais são os principais recursos do programa?
R – Basicamente, é um software de medição acústica dividido em três módulos: o primeiro é um módulo de ferramentas (ferramentas de áudio e de acústica para calculo de tempo de reverberação de uma sala); o segundo, que é o principal, é o módulo de medição acústica, que mede a resposta impulsiva de uma sala por varredura espectral. É gerada uma onda senoidal (20 a 20.000 Hertz). Da gravação dessa onda dentro de uma sala, é extraído diversos parâmetros: tempo de reverberação, clareza, definição, vazão de grave, agudos, etc.
P – E o terceiro módulo?
R – O terceiro módulo, ainda não implementado, é o de simulação. Já existe um modelo, mas nosso problema maior é fazer a interface para essa parte do módulo. Possivelmente, só daqui a dois anos, nós poderemos fazer a conclusão. Mas devemos começar a trabalhar no ano que vem.
P – Qual o problema maior para fazer essa interface?
R - Desde o início, nós tínhamos três parâmetros. Primeiro, que ele fosse um programa de código aberto, qualquer outro pesquisador que tenha acesso ao código, pode mexer ou contribuir. A versão final, compilada, para o usuário, somos nós que fazemos; Segundo, é um programa multiplataforma, feito numa plataforma chamada Eclipse, que trabalha com a linguagem Java; e terceiro, funciona em Macintosh, Windows e links.
P - A quem se destina?
É um programa que segue as normas internacionais de extração de parâmetros acústicos de salas. De maneira profissional, pode ser usado por engenheiros, arquitetos, consultores que queiram dar um parecer sobre um determinado ambiente. É um programa que tem uma resolução boa, resultado confiável, mas foi implementado também para um usuário não especialista. É gratuito. Por exemplo, uma pessoa que entende um pouco de acústica e deseja construir um home-studio. Para isso, é um método confiável. Alguém que leia o pequeno tutorial que vem junto, em principio, seria capaz de fazer a medição.
P – Então, o software permite a medição tanto de salas pequenas como de um teatro ou de um auditório, por exemplo?
R – Tanto faz. Só que quando se trata de salas muito pequenas, alguns resultados não são tão confiáveis. Mas isso não é problema do software, mas do comportamento de salas muito pequenas.
P – Em quais locais, o software já foi aplicado? Quais os resultados?
R – Um mestrando fez a medição de cinco teatros destinados a músicas eruditas aqui de São Paulo: Teatro Municipal, Teatro Sérgio Cardoso, Teatro São Pedro, Teatro do Memorial da América Latina e o Teatro Municipal de Diadema. Foi feita a medição, mapeamento do comportamento acústico de diversos pontos de cada teatro, comportamento acústico na frente, no fundo, no balcão, por exemplo. Depois, foi feita uma comparação entre os cinco teatros, com vantagens e deficiências de cada um. Na conclusão, demonstramos que tal teatro é propício para ópera, mas não é para música de câmara, assim por diante.
P – O software é gratuito?
R – Sim. É um programa livre e totalmente gratuito. Lá, o usuário vai encontrar um pequeno tutorial para começar a entender e usar o programa. Além disso, nós podemos dar suporte por e-mail.
P – Quais os próximos passos?
R – Os próximos passos são melhorar a interface, criar um manual e principalmente a começar a trabalhar a simulação. A nossa idéia é contar, no mesmo módulo, com todas as ferramentas acústicas no mesmo software e que seja possível trocar informações de uma para outra.
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